A sedimentoscopia urinária é uma etapa fundamental da urinálise e vai muito além de complementar a fita reagente. A avaliação microscópica do sedimento fornece informações diretas sobre o trato urinário inferior, função renal e até doenças sistêmicas.
Quando bem interpretada, pode antecipar diagnósticos, orientar exames complementares e evitar condutas terapêuticas inadequadas.
A presença de hemácias pode indicar inflamação, trauma, urolitíase, cistite ou neoplasia. No entanto, é indispensável considerar o método de coleta. Amostras obtidas por cistocentese podem apresentar discreta hematúria iatrogênica, o que não necessariamente indica doença.
Os leucócitos, quando presentes em quantidade aumentada, sugerem processo inflamatório ou infeccioso no trato urinário. A associação entre piúria e bacteriúria é um forte indicativo de infecção urinária ativa, especialmente quando correlacionada a sinais clínicos como disúria e polaciúria.
A simples visualização de bactérias não confirma infecção. Em amostras coletadas por micção espontânea, a contaminação é frequente. Por isso, a sedimentoscopia deve ser interpretada em conjunto com o método de coleta e, quando indicado, complementada por urocultura.
A presença de cristais urinários pode ser achado incidental ou sinal de distúrbios metabólicos subjacentes. A identificação correta da morfologia cristalina — como estruvita, oxalato de cálcio ou urato, auxilia na avaliação do risco de urolitíase.
Entretanto, a cristalúria deve ser analisada com cautela. Fatores como temperatura da amostra, tempo até o processamento e pH urinário influenciam a formação de cristais in vitro. Nem toda cristalúria indica formação ativa de cálculos.
Os cilindros urinários refletem alterações nos túbulos renais. Cilindros hialinos podem ocorrer em situações fisiológicas, como desidratação leve. Já cilindros granulosos, hemáticos ou celulares indicam injúria renal mais significativa.
A presença persistente de cilindrúria associada a alterações bioquímicas, como aumento de ureia e creatinina, fortalece a suspeita de comprometimento renal.
As células epiteliais variam conforme sua origem. Células escamosas geralmente indicam contaminação. Já células de transição, quando em número aumentado ou com alterações morfológicas, podem sugerir inflamação persistente ou até neoplasia do trato urinário inferior.
A morfologia celular deve ser avaliada com atenção, principalmente em pacientes com hematúria recorrente ou sinais urinários crônicos.
A qualidade da interpretação depende de:
● método de coleta
● tempo entre coleta e análise
● densidade urinária
● armazenamento adequado
A degradação celular ocorre rapidamente em amostras mal conservadas. Por isso, o processamento ágil é determinante para confiabilidade diagnóstica.
No ZooGene, a urinálise completa com sedimentoscopia criteriosa oferece suporte técnico confiável para decisões clínicas mais seguras.
O teste de coombs direto é um exame laboratorial fundamental na investigação da anemia hemolítica imunomediada (AHIM) em cães e gatos. Ele permite identificar anticorpos ou frações do complemento aderidas à superfície dos eritrócitos, indicando que o sistema imunológico está destruindo prematuramente essas células.
O exame, no entanto, não deve ser interpretado isoladamente. Seu valor diagnóstico está na integração com os achados clínicos e hematológicos.
A AHIM é caracterizada pela destruição precoce dos eritrócitos mediada pelo sistema imune. Essa hemólise pode ocorrer de forma intravascular ou extravascular, levando à redução significativa da massa eritrocitária.
Clinicamente, os pacientes podem apresentar:
● palidez de mucosas
● icterícia
● fraqueza
● taquicardia
● intolerância ao exercício
Em quadros mais graves, pode haver colapso e alterações sistêmicas associadas.
O hemograma geralmente revela anemia regenerativa, com presença de reticulocitose. Outros achados importantes incluem:
● esferócitos
● autoaglutinação eritrocitária
● policromasia
● alterações leucocitárias
A combinação desses sinais reforça a suspeita de anemia hemolítica imunomediada.
O teste de coombs direto detecta imunoglobulinas (principalmente IgG) ou complemento ligados à membrana dos eritrócitos. Quando positivo, reforça a presença de mecanismo imunomediado envolvido na hemólise.
É importante destacar que:
● um resultado positivo apoia o diagnóstico de AHIM
● um resultado negativo não exclui a doença
Falsos negativos podem ocorrer quando a quantidade de anticorpos ligados às hemácias é baixa ou quando o paciente já iniciou terapia imunossupressora. Por isso, a interpretação deve sempre considerar o contexto clínico completo.
O diagnóstico da anemia hemolítica imunomediada não deve se basear em um único exame. A correlação entre sinais clínicos, hemograma, bioquímica sérica e teste de coombs é essencial para maior segurança diagnóstica.
Também é fundamental investigar possíveis causas secundárias, como:
● infecções
● neoplasias
● reações a fármacos
● doenças inflamatórias
Identificar a causa subjacente influencia diretamente o prognóstico e a estratégia terapêutica.
O teste de coombs é uma ferramenta valiosa na investigação da AHIM, mas sua eficácia depende da correta indicação e interpretação.
No ZooGene, o teste de coombs é realizado com rigor técnico, oferecendo suporte ao médico-veterinário na confirmação diagnóstica e na condução de casos complexos.
Juntos somos mais diagnósticos.
O metabolismo felino é diferente do observado em cães, especialmente no que diz respeito à metabolização hepática de fármacos. Os gatos apresentam atividade reduzida da enzima UDP-glicuroniltransferase, responsável pelo processo de glicuronidação, uma importante via de detoxificação hepática.
Essa limitação fisiológica compromete a eliminação de diversas substâncias, tornando os felinos mais suscetíveis à toxicidade medicamentosa. Por isso, medicamentos seguros em outras espécies podem representar risco significativo para gatos.
A menor capacidade de glicuronidação aumenta a permanência de metabólitos potencialmente tóxicos no organismo. O exemplo clássico é o paracetamol, que pode causar necrose hepática grave e metemoglobinemia mesmo em pequenas doses.
Outras classes que exigem atenção incluem:
● anti-inflamatórios não esteroidais
● analgésicos
● anticonvulsivantes
● alguns antibióticos
A prescrição deve sempre considerar doses específicas para felinos e intervalos adequados.
Diante da maior sensibilidade hepática, o acompanhamento laboratorial é indispensável durante tratamentos farmacológicos.
As principais alterações observadas incluem:
● elevação de ALT
● aumento de AST
● elevação de fosfatase alcalina
● hiperbilirrubinemia
O monitoramento é especialmente importante em terapias prolongadas, pacientes geriátricos ou gatos com histórico de doença hepática.
Reconhecer que o metabolismo dos gatos é distinto reduz riscos iatrogênicos e melhora a segurança terapêutica. Avaliação prévia da função hepática e acompanhamento bioquímico durante o tratamento permitem identificar alterações precocemente e ajustar condutas.
No ZooGene, os exames bioquímicos oferecem suporte confiável para monitoramento hepático e decisões clínicas mais seguras.
A resposta ao jejum em gatos é metabolicamente distinta da observada em cães e deve sempre ser tratada como potencialmente grave. Como carnívoros estrictos, os felinos dependem de aporte contínuo de proteínas. Quando ocorre anorexia ou jejum prolongado, o organismo mobiliza gordura de forma intensa para suprir a demanda energética.
O problema é que o fígado do gato tem capacidade limitada de metabolizar grandes quantidades de lipídios. Essa sobrecarga favorece o acúmulo de triglicerídeos nos hepatócitos, levando ao desenvolvimento de lipidose hepática felina, uma das hepatopatias mais graves da rotina clínica.
Mais do que falta de apetite, o jejum em gatos representa um risco metabólico real.
Mesmo com baixa ingestão calórica, o metabolismo felino continua exigindo proteína. Diante da anorexia, ocorre rápida mobilização lipídica periférica, que ultrapassa a capacidade hepática de oxidação e exportação de gordura.
Gatos obesos, idosos ou submetidos a estresse intenso apresentam risco ainda maior. Mudanças ambientais, pós-operatório, doenças inflamatórias ou infecciosas frequentemente desencadeiam o quadro.
Em poucos dias de anorexia, especialmente em animais com sobrepeso, já pode haver comprometimento hepático significativo.
Os sinais mais comuns incluem:
● anorexia persistente
● perda de peso rápida
● letargia
● icterícia
● episódios de vômito
Laboratorialmente, observam-se:
● elevação de ALT
● aumento de fosfatase alcalina
● hiperbilirrubinemia
A icterícia clínica geralmente acompanha as alterações bioquímicas. O diagnóstico é sustentado por perfil hepático alterado e exames de imagem, como ultrassonografia abdominal.
Diferentemente dos cães, gatos não toleram bem períodos sem alimentação. A anorexia por mais de 24 a 48 horas já deve ser investigada.
A abordagem inclui:
● identificação da causa primária
● avaliação bioquímica completa
● instituição rápida de suporte nutricional
● monitoramento laboratorial seriado
Em muitos casos, é necessário iniciar uma alimentação assistida para interromper o ciclo metabólico que leva à lipidose. Intervenção precoce aumenta significativamente as chances de recuperação.
O perfil bioquímico é essencial para detectar precocemente alterações hepáticas associadas ao jejum prolongado. Ele permite avaliar a gravidade do comprometimento hepático e monitorar a resposta terapêutica.
Anorexia em felinos é urgência clínica. Diagnóstico precoce e suporte nutricional imediato são determinantes para o desfecho.
No ZooGene, os exames bioquímicos auxiliam na identificação rápida das alterações hepáticas e apoiam decisões clínicas mais seguras.
A cistite bacteriana em cães e gatos é uma inflamação da bexiga causada pela colonização bacteriana do trato urinário inferior. É mais comum em cães, especialmente fêmeas adultas, enquanto, nos gatos, grande parte das doenças urinárias tem origem não bacteriana.
Os principais agentes envolvidos incluem Escherichia coli, Staphylococcus spp., Proteus spp. e Enterococcus spp.. A infecção costuma ocorrer por via ascendente, e fatores como urolitíase, diabetes mellitus, doença renal crônica e uso prévio de antimicrobianos aumentam o risco.
O desafio clínico não está apenas em tratar, mas em confirmar corretamente o diagnóstico e identificar possíveis causas de base.
Os sinais mais frequentes são:
● Polaciúria
● Disúria
● Estrangúria
● Hematúria
● Micção inapropriada
Geralmente não há sinais sistêmicos. Porém, em infecções complicadas, pode haver apatia ou febre.
É essencial lembrar: nem toda cistite é bacteriana, principalmente em gatos jovens. O tratamento empírico sem confirmação laboratorial pode mascarar outras causas e favorecer resistência antimicrobiana.
O diagnóstico deve ser sustentado por exames adequados.
A cistocentese é o método de escolha para coleta, reduzindo risco de contaminação. A urinálise pode evidenciar hematúria, piúria, bacteriúria, proteinúria discreta, cristais e células epiteliais de transição. A associação entre bacteriúria e piúria fortalece a suspeita clínica.
A confirmação exige urocultura com antibiograma, especialmente em casos recorrentes, pacientes com comorbidades, infecções em machos ou falhas terapêuticas. O antibiograma direciona a escolha antimicrobiana e reduz tratamentos ineficazes.
A classificação influencia diretamente a conduta.
● Cistite simples: primeiro episódio em paciente saudável, com boa resposta a tratamento curto.
● Cistite complicada: associada a doenças de base, alterações anatômicas, recorrência ou resistência bacteriana, exigindo investigação complementar.
O uso repetido de antibióticos sem cultura tem aumentado a resistência bacteriana na rotina clínica. A escolha empírica pode prolongar infecções e limitar futuras opções terapêuticas.
Diagnóstico adequado protege o paciente e fortalece a prática veterinária baseada em evidência.
No ZooGene, a identificação bacteriana precisa e o antibiograma confiável oferecem suporte essencial à tomada de decisão clínica.
A cistite bacteriana em cães e gatos exige raciocínio estruturado, coleta adequada e confirmação laboratorial. Diagnosticar corretamente reduz recidivas e melhora o prognóstico.
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O diabetes mellitus em cães e gatos raramente surge de forma isolada. Na rotina clínica, é comum que a doença esteja associada a condições que promovem resistência insulínica ou comprometam diretamente a função pancreática. Ignorar essas comorbidades pode dificultar o controle glicêmico e comprometer o prognóstico.
Para além da insulinoterapia, o sucesso terapêutico depende da identificação e manejo das doenças correlacionadas.
Entre os fatores mais associados ao desenvolvimento do diabetes mellitus estão:
● obesidade
● alimentação excessiva
● baixa atividade física
● uso prolongado de glicocorticoides ou progestágenos
A obesidade, em especial, tem papel central na resistência insulínica, tanto em cães quanto em gatos. O tecido adiposo atua como órgão metabolicamente ativo, liberando mediadores inflamatórios que reduzem a sensibilidade à insulina.
Outras condições também merecem atenção, como doença renal crônica, alterações da tireoide e doenças periodontais crônicas — todas capazes de interferir no equilíbrio metabólico.
Algumas enfermidades exercem impacto direto na manutenção da hiperglicemia e tornam o controle do diabetes mais desafiador.
Nos cães, o hiperadrenocorticismo é uma das causas mais importantes de resistência insulínica. Já nos gatos, destaca-se a acromegalia, frequentemente subdiagnosticada, mas associada à dificuldade de estabilização glicêmica.
A pancreatite também exerce papel relevante, comprometendo ainda mais a função das células beta pancreáticas. Além disso, infecções crônicas, especialmente do trato urinário, mantêm o estado inflamatório e dificultam o controle metabólico.
Quando o paciente diabético não responde adequadamente ao protocolo terapêutico, a investigação dessas comorbidades deve ser prioridade.
O laboratório é peça-chave na identificação dessas doenças associadas.
A presença de:
● hiperglicemia persistente
● glicosúria
● dislipidemia
● alterações inflamatórias
deve motivar investigação complementar.
O rastreamento glicêmico periódico é fundamental, especialmente em pacientes com doenças predisponentes. Detectar precocemente alterações metabólicas permite intervir antes que o quadro evolua.
Mais do que confirmar o diabetes, o diagnóstico laboratorial ajuda a compreender o contexto clínico completo do paciente.
Tratar o diabetes mellitus em cães e gatos exige visão ampla. Ajustar insulina sem investigar comorbidades pode gerar frustração clínica e recorrência de descompensações.
A abordagem integrada, clínica e laboratorial, aumenta a previsibilidade terapêutica e melhora a qualidade de vida do paciente.
No ZooGene, os exames laboratoriais auxiliam na investigação de doenças correlacionadas e no monitoramento do controle metabólico de pacientes diabéticos.
Diagnóstico preciso é o primeiro passo para tratamento eficaz.
Sexta também é dia! Um excelente dia de trabalho a todos!
Segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer), está estimado uma